Ivan, o Terrível

facebook Instagram Youtube

Musicália

Ivan, o Terrível




Ivan, o Terrível

Beethoven em 1823, Pintura de Ferdinand Georg Waldmüller | Wikimedia Commons


A NONA SINFONIA DE BEETHOVEN

A Sinfonia N.º 9 de Ludwig van Beethoven foi estreada em 1824 no Teatro da Corte Imperial e Real de Viena. Muitos consideram-na a primeira grande sinfonia da História da Música. Com efeito, foi uma das obras orquestrais mais influentes ao longo de todo o século XIX. Apresenta uma complexidade formal sem precedentes, uma orquestração que apontava novos horizontes criativos, uma tal ousadia no que respeita às premissas artísticas e ideológicas, que assume uma dimensão verdadeiramente monumental.



«Exercícios para teclado», livro publicado em 1731 como Op. 1 | Fonte: Wikimedia Commons
 
Em bom rigor, Johann Sebastian Bach não deu o nome de «Suítes Alemãs» a obra alguma, assim como nunca o fez relativamente às outras duas suítes que compôs para cravo, também conhecidas como «Suítes Inglesas» e «Suítes Francesas». O primeiro nome é menos usual, ainda assim. Provirá da conveniência dos editores que postumamente recuperaram as seis Partitas BWV 825–830, as primeiras obras cuja publicação o compositor supervisionou, e que em 1731 reuniu num caderno prosaicamente intitulado «Exercícios para teclado». Acrescentou, porém, a dedicatória «Aos amantes da música, para refrescar seus espíritos.»


  
Poster do filme «Ivan, o Terrível», 1.ª Parte | Fonte: Wikimedia Commons
 
IVAN, O TERRÍVEL
 
Para lá de «Alexander Nevsky», Sergei Prokofiev também compôs a música do último filme do realizador Sergei Eisenstein (1898-1948). Dividido em duas partes, «Ivan, o Terrível» relata factos históricos relacionados com a figura do Czar e o processo de unificação política do território russo quinhentista. Já em 1961, o maestro Abram Stasevich recuperou as partituras que dirigiu durante a montagem e fez estrear uma Oratória com o mesmo nome.
 
 **
 

    Proclamado em 1547, Ivan IV tornou-se o primeiro Czar da Rússia. Construiu um império expansionista que centralizava o poder e combatia cruelmente as oligarquias aristocratas, os boiardos. Em particular, a política da Opríchnina, baseada em territórios administrativos que protegiam a coroa, deixaram uma marca sangrenta no seu reinado. Ficou conhecido pelo cognome «O Terrível».

    Estaline identificava-se com esta figura histórica, por razões que se adivinham. Porém, os filmes que o realizador Eisenstein lhe dedicou exploram, sobretudo, os aspetos morais e psicológicos da sua personalidade. O primeiro, de 1944, tem início com a coroação. Aborda os episódios do seu casamento e as lutas intensas que culminaram na instauração de um regime absolutista. O segundo filme só foi estreado em 1958, já depois da morte de Eisenstein, Prokofiev e do próprio Estaline. Centra-se nas mais atrozes tramas palacianas que Ivan teve de enfrentar ao longo da governação.

    A importância da banda sonora no desenrolar destes filmes é devedora do interesse que Prokofiev dedicou à ópera nos anos 1940. Nunca chegou a publicar as partituras, e menos ainda as recuperou numa versão cénica. Foi Abram Stasevich, maestro que havia colaborado na produção do filme, quem assumiu a tarefa. Em formato de Oratória, fez estrear em abril de 1961, em Moscovo, esta obra magistral que articula livremente as partes mais substantivas da música original (inalterada) com a declamação de um texto que contextualiza a narrativa.

 

 

DIAS DA MÚSICA EM BELÉM 2017

 

Concerto de Abertura

Orquestra Sinfónica Metropolitana
Coro da Fundação Princesa das Astúrias

 

Sexta-Feira, 28 de abril de 2017, Grande Auditório do Centro Cultural de Belém

 S. Prokofiev Ivan O Terrível, Op. 116

Música dos filmes de S. Eisenstein em versão de oratória (arr. A. Stasevich)

 

Narrador e Solistas: Larissa Savchenko (mezzo-soprano); Wojtek Gierlach (baixo);

Miguel Moreira (narrador)
Maestro do Coro: José Esteban García Miranda
Direção Musical: Mykola Diadiura

 

 
Leoš Janáček em 1882 | Fonte: Wikimedia Commons
 
O reconhecimento póstumo de Janáček deve-se sobretudo às composições do último período da sua carreira. Em particular, o sucesso que a ópera Jenůfa obteve em Praga, em 1903, marcou um ponto de viragem. A partir de então, reconhecemos na sua música maior ousadia estilística. A Suíte para Cordas, de 1877, pode, por isso, surpreender pelo contraste. Mas não desaponta. Foi «esquecida» durante muitos anos pelo próprio compositor, mas este acabou por publicá-la em 1926, reconhecendo o talento da sua própria juventude.


Sergei Prokofiev em 1918 | Fonte: Wikimedia Commons
 
A música de Prokofiev reflete a sua personalidade. Enfant terrible, repentista e provocador, era genuinamente sensível e admirador dos cânones do classicismo. Apesar do talento, vários professores do Conservatório de São Petersburgo assinalaram essa inconstância – a qual se tornaria, porém, marca identitária. O célebre violoncelista Mstislav Rostropovich comparava a sua música à maneira que tinha de falar, «espirituosa e sincera, por vezes brusca, outras suave». Irreverente, mas fiel à tradição, o Concerto para Piano N.º 3 ilustra exemplarmente o paradoxo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

contador de visitas