A Quarta de Mahler

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Musicália

A Quarta de Mahler


A Quarta Sinfonia anuncia o período de maturidade de Gustav Mahler



A Quarta de Mahler

 
A canção «Das himmlische Leben» («A vida celestial») preenche o último andamento da 4.ª Sinfonia de Mahler. É ponto de partida e ponto de chegada, a «razão de ser» daquela obra.

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Arnold Böcklin (1827–1901), «Auto-retrato com a Morte tocando violino» (1872) / Fonte:Wikimedia Commons
O poema «A vida celestial», sobre o qual Gustav Mahler escreveu a canção que preenche a totalidade do último andamento da Sinfonia N.º 4, percorre a visão infantil de uma vida angelical. Mas não se trata de uma apropriação inocente. A composição aborda com desassombro o assunto da morte.

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Albert Roussel em 1923 | Fonte: BnF Gallica
 

PETITE SUITE

Petite Suite é uma das composições mais populares de Albert Roussel. Datada de 1929, esta curta peça orquestral retrata cirurgicamente os traços mais característicos do estilo de escrita do compositor francês. São três andamentos que nos conduzem por uma alvorada com perfume do exotismo espanhol, pelo registo lírico e bucólico de uma pastoral e, por fim, pela ambiência jocosa dos bailes de máscaras parisienses.

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Palácio Esterháza em Fertőd | Fonte: classicalnotes.blogspot
 
Sinfonia do Adeus de Joseph Haydn é música de protesto, um simpático protesto que se destinava a convencer o príncipe Nikolaus a não manter a orquestra por mais tempo no Palácio Eszterháza. A estadia, que já se prolongava havia longos meses, mantinha os músicos afastados das suas famílias. Então, Haydn consentiu em traduzir em música esse descontentamento. Numa época em que as instituições sindicais eram uma miragem, tal reivindicação só seria possível com muita elegância e bom humor. Assim aconteceu.

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Mahler em 1898 / Fonte:Wikimedia Commons

 
A QUARTA DE MAHLER

A Quarta Sinfonia de Gustav Mahler anuncia o período de maturidade do compositor. Não se pode dissociá-la das sinfonias anteriores, mas distingue-se em múltiplos aspetos.
 
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    A Quarta Sinfonia foi composta nos verões de 1899 e 1900, quando se assistiu a uma grande mudança no estilo de composição de Gustav Mahler. A canção «celestial» que se ouve no quarto andamento culminou um período em que os poemas «Des Knaben Wunderhorn» («A trompa mágica do rapaz») ocuparam uma posição dominante no seu imaginário criativo. Não se pode, portanto, dissociá-la das sinfonias anteriores. Distingue-se, porém. Desde logo, porque é uma partitura que não revela as referências programáticas em que se baseia. Pelo contrário, inclina-se para uma postura afim à ideia do «puramente musical», o que se pode comprovar na maior sofisticação das texturas tímbricas, na alternância entre momentos protagonizados pelo maciço orquestral com outros em que prevalecem sonoridades próximas da música de câmara. As combinações instrumentais são menos lineares do que acontecia nas sinfonias anteriores. Anuncia-se deste modo o período de maturidade do compositor.

 

    Os três primeiros andamentos correspondem ao formato de uma sinfonia de matriz clássica: o primeiro desenvolve-se em Forma Sonata, o segundo consiste num Scherzo e o terceiro num Adagio. Cumprem-se assim com reverência os fundamentos da tradição musical austríaca, a que não será alheia a circunstância de Mahler ter assumido pouco tempo antes o lugar de Diretor Musical da Ópera de Viena e, com vista a atenuar o impacto das correntes antissemitas que floresciam, renunciar ao judaísmo, convertendo-se à religião católica. Ainda assim, surgem desde o primeiro compasso indícios que contrariam a expetativa de ser uma sinfonia clássica. É certo que a dimensão do efetivo orquestral é mais reduzida e que a coerência temática entre os diferentes andamentos é irrepreensível. Mas a vincada propensão intimista e um tratamento invulgar dos temas melódicos conduzem-nos por caminhos diferentes.

 

    Em verdade, Mahler inverteu o princípio genérico segundo o qual no formato sinfonia se apresentam primeiro os temas melódicos fundadores, para depois os transformar e desenvolver rumo a um final conclusivo, por vezes apoteótico. Em vez disso, tomou como ponto de partida uma canção que havia composto em 1892. «Das himmlische Leben» («A vida celestial») só se revela integralmente no último andamento e toda a música que a precede baseia-se em fragmentos dela retirados. Esta e outras soluções compositivas parecem evitar a grandiosidade das anteriores sinfonias, o que em boa medida justifica a relutância do público e da crítica da época na sua aceitação. Desde novembro de 1901, quando estreou na cidade de Munique, a Quarta Sinfonia enfrentou os caprichos da História, conquistando nas últimas décadas lugar de destaque nas programações das salas de concertos em todo o mundo.

 

Orquestra Sinfónica Metropolitana
Solista: Alexandra Bernardo (soprano)
Maestro: Reinaldo Guerreiro

 

Gustav Mahler Sinfonia N.º 4

 

Sexta-feira, 15 de março de 2018, Teatro Aveirense

Sábado, 16 de março de 2018, Teatro Thalia

                  
A propósito da Sinfonia N.º 4, Mahler escreveu: «Pense no azul indiferenciado do céu, o qual é mais difícil de apreender do que qualquer variação ou contraste entre tons diferentes. Essa é a cor fundamental desta obra.»

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Gravação publicada no Canal Youtube da Sinfonia Roterdão
 
Joseph Haydn compôs mais de cem sinfonias. A N.º 45 foi composta em 1772 e é conhecida como Sinfonia do Adeus, o que se deve ao Adagio que interrompe inesperadamente o último andamento. Este, numa abordagem mais distraída, quase parece ser uma peça autónoma. Mas não o é. Culmina um trajeto cuidadosamente planeado que nos conduz, num plano global, da instabilidade ao repouso, da fúria à extinção, do «mais» ao «menos», com inúmeros apontamentos de perplexidade e hesitação pelo meio.

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Krzysztof Penderecki em 1993 | Fotografia de Krzysztof Wójcik | Fonte: Wikimedia Commons
 
As duas peças que se juntam na Serenata para Cordas de Krzysztof Penderecki (Passacaglia e Larghetto) tiveram origem em momentos distintos. A primeira foi composta em 1996, a segunda no ano seguinte. Foram estreadas nas respetivas edições do Festival de Cordas de Lucerna, na Suíça. Mais recentemente, o compositor terá tido a intenção de acrescentar outras duas peças – no início e no final –, indo assim ao encontro da configuração da célebre Serenata para Cordas de Tchaikovsky. Porém, o compositor polaco reserva-nos, por ora, a expectativa de uma suspensão que se consome em silêncio.

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O compositor Pedro Amaral | Foto de João Francisco Vilhena (2018)
 
Por encomenda da Casa da Música, Pedro Amaral fez estrear em março de 2013 a obra Deux Portraits Imaginaires, na interpretação do Remix Ensemble. Com origem no projeto de uma ópera baseada no imaginário poético de Fernando Pessoa, derivou numa partitura para ensemble orquestral com piano. Aí, as figuras de Fausto e Maria são postas em diálogo por intermédio de texturas sonoras diversas que alternam solos instrumentais eloquentes com malhas sonoras lacerantes, mas sempre ostentando a essência dramática de onde provêm. O compositor apresentou este seu trabalho nos seguintes termos.

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