Sinfonia Dante

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Musicália

Sinfonia Dante




Sinfonia Dante
 

IL MONDO AL ROVESCIO

«Il Proteo ò sia il mondo al rovescio» é título do concerto de Antonio Vivaldi com número de catálogo RV 544. Traduz-se, em português, como «Proteu, ou o mundo às avessas», o que nos leva a perguntar acerca da sua relação com a partitura. Fica-se então a saber que o seu propósito é diferente ao do título «As quatro estações», datado da mesma época. É bastante mais subtil do que a ilustração dos fenómenos da Natureza.

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Domenico Cimarosa (1749-1801) | Gravura a partir de desenho de Gandolph von Treuberg (1770-1827) | Fonte: BnF Gallica
 

IL MAESTRO DI CAPPELLA

Um maestro deslumbrado com o próprio talento acha-se diante de uma orquestra aqui e ali indisciplinada, mas no geral colaborante. É o ensaio de uma composição em «tempo real». O mundo às avessas? Talvez não! Ou talvez sim! Em finais do século XVIII, ao jeito de Pirandello mas ficando-se pela comicidade característica do estilo buffo italiano, Cimarosa compôs o intermezzo operático Il Maestro di Cappella, despojando em palco os dilemas da composição. Resultou assim a mais divertida maneira de apresentar a constituição da orquestra que alguma vez se viu.

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Trompa de Postilhão | Gravura de um folheto de 1648 | Fonte: BnF Gallica

À semelhança dos Divertimentos, a Serenata permitia aos compositores da segunda metade do século XVIII reunir um número variável de peças para serem tocadas ao longo de um evento social importante. No caso do KV 320 de W. A. Mozart, sucedem-se 7 números interpretados por uma orquestra que junta às cordas e aos tímpanos numerosos instrumentos de sopro. Entre estes, acha-se a trompa, cujo destaque em determinado momento leva a que se conheça esta obra por Trompa de Postilhão.

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Dante e o seu poema, Fresco de Domenico di Michelino datado de 1465 | Fonte: Wikimedia Commons
 
SINFONIA DANTE
 
Não sendo a obra mais popular de Franz Liszt, a Sinfonia Dante é um dos Monumentos Artísticos que melhor representa a música programática oitocentista e os poemas sinfónicos afins à estética romântica. Inspira-se na Divina Comédia de Dante – esse sim –, um dos poemas mais célebres de todos os tempos e que tem alimentado a fantasia de tantos artistas, desde a Idade Média até aos dias hoje. O seu imaginário projeta-se numa lista interminável de obras-primas, que se estende da pintura à escultura, da literatura ao cinema e, claro está, também à música.
 
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    Como um filme que se baseia numa obra literária, Franz Liszt deixou-se guiar pela fascinante Commedia de Dante Alighieri e compôs em 1855 uma sinfonia magistral. O imaginário suntuoso do poeta toscano, repleto de alegorias morais e projeções místicas, espelha a dimensão grotesca da sua narrativa num diálogo despudorado com a partitura. No longo andamento inicial é retratada uma dor imensa, um turbilhão de sensações inspirado na ideia de Inferno que preenche a primeira parte do livro. Ouve-se um rodopio frenético de ventos possessos, gritos e exclamações de horror, angústias cavernosas que contrastam com o marasmo da pretensa evocação do amor funesto de Francesca e Paolo. Nalgumas passagens apodera-se literalmente do texto, como nas primeiras melodias, que correspondem ao fraseio rítmico de «Per me si va nella città dolente» («Entra-se por mim na cidade da tristeza»), palavras que se lêem quando o autor e protagonista da viagem se depara com as portas do inferno. E mais à frente, «Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate!» («Abandonai toda esperança, vós que entrastes»). Já o Purgatório, explana-se em sonoridades bastante mais cristalinas, na ponderosa ascensão de Dante até ao brilho das estrelas. Compassadamente, atinge-se um estado de ânimo que nos remete para a última parte do poema, o Paraíso, muito embora o compositor não o assuma com igual evidência. Sem interrupção, florescem na distância as vozes de um coro feminino entoando o cântico da Virgem Maria, «A minh’alma engrandece o Senhor».
 


Orquestra Metropolitana de Lisboa
Coro Sinfónico Lisboa Cantat
Solista: Inês Costa (piano)
Maestro do Coro: Jorge Carvalho Alves
Maestro: Pedro Amaral

 

W. A. Mozart Concerto para Piano N.º 21, KV 467, Elvira Madigan
F. Liszt Sinfonia Dante, S. 109

 

Sábado, 21 de abril de 2018, Coliseu Porto

Domingo, 22 de abril de 2018, Pavilhão Paz e Amizade, Loures

Terça-feira, 24 de abril de 2018, Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha

 

Dias da Música em Belém


Orquestra Metropolitana de Lisboa
Coro Sinfónico Lisboa Cantat
Maestro do Coro: Jorge Carvalho Alves
Maestro: Pedro Amaral

 

F. Liszt Sinfonia Dante, S. 109

 

Domingo, 29 de abril de 2018, Centro Cultural de Belém

                  
Elvira Madigan e Sixten Sparre | Fonte: Wikimedia Commons
 

ELVIRA MADIGAN

Há pedaços de música que paralizam o Tempo. Desafiam consciências de Passado e de Futuro e confrontam-nos com um ideal de Harmonia e Beleza que proporciona uma experiência sublime. Vislumbram um saber fundamental, absoluto, que convida a pensar. O segundo andamento do Concerto para Piano N.º 21 de Mozart é um desses exemplos. Por integrar a banda sonora do filme Elvira Madigan, realizado pelo sueco Bo Widerberg em 1967, muitos o conhecem por esse nome.

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LA BIZARRE

À semelhança de Vivaldi, numerosas partituras de Telemann têm títulos que sugerem leituras extramusicais. Muitos devem-se a terceiros que, em certos casos, pretenderam acrescentar interesse à comercialização das peças. Porém, no caso da suíte TWV 55:G2 poderá ter sido J. G. Pisendel quem lhe chamou «La Bizarre». Fazia assim alusão a detalhes técnicos insólitos que se distinguem nesta partitura e que eram pouco usuais na época.

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SINFONIA N.º 29 DE MOZART

Tratando-se de música clássica, é por vezes difícil saber «por onde começar». Pois não é descabida esta sugestão: a Sinfonia N.º 29 de Wolfgang Amadeus Mozart. É certo que as últimas três sinfonias do compositor austríaco são bastante mais virtuosas e fulgurantes. Porém, esta que escreveu aos dezoito anos de idade é particularmente convidativa. Sem arrebatamentos expressivos ou cerimónias em excesso, somos todos muito bem-vindos.

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