Tudo por uma Canção

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Musicália

Tudo por uma Canção


A canção «Das himmlische Leben» é «razão de ser» da 4.ª Sinfonia de Mahler



Tudo por uma Canção

Arnold Böcklin (1827–1901), «Auto-retrato com a Morte tocando violino» (1872) / Fonte:Wikimedia Commons
O poema «A vida celestial», sobre o qual Gustav Mahler escreveu a canção que preenche a totalidade do último andamento da Sinfonia N.º 4, percorre a visão infantil de uma vida angelical. Mas não se trata de uma apropriação inocente. A composição aborda com desassombro o assunto da morte.

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Krzysztof Penderecki em 1993 | Fotografia de Krzysztof Wójcik | Fonte: Wikimedia Commons
 
As duas peças que se juntam na Serenata para Cordas de Krzysztof Penderecki (Passacaglia e Larghetto) tiveram origem em momentos distintos. A primeira foi composta em 1996, a segunda no ano seguinte. Foram estreadas nas respetivas edições do Festival de Cordas de Lucerna, na Suíça. Mais recentemente, o compositor terá tido a intenção de acrescentar outras duas peças – no início e no final –, indo assim ao encontro da configuração da célebre Serenata para Cordas de Tchaikovsky. Porém, o compositor polaco reserva-nos, por ora, a expectativa de uma suspensão que se consome em silêncio.

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Pormenor da pintura «O baloiço», de Jean-Honoré Fragonard (1767) | Fonte: Wikimedia Commons
 
Tal como a música, também as palavras se transformam no tempo. Por isso, quando se trata de ouvir aqueles concertos que Antonio Vivaldi reuniu no seu Op. 4, é importante termos presente que o termo «extravagância», deste modo reportado às primeiras décadas do século XVIII, não tinha a significação que lhe conhecemos hoje. São doze concertos para violino e orquestra reunidos numa publicação intitulada «La Stravaganza» e que surpreendem pelos contrastes abruptos entre melodias afáveis e momentos de virtuosismo desenfreado.

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TUDO POR UMA CANÇÃO
 
A canção «Das himmlische Leben» («A vida celestial») preenche o último andamento da 4.ª Sinfonia de Mahler. É ponto de partida e ponto de chegada, a «razão de ser» daquela obra.
 
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    Em 1892, Mahler escreveu uma série de canções sobre poemas anónimos alemães que haviam sido reunidos e publicados no início do século XIX, numa coleção com o título «Des Knaben Wunderhorn» («A trompa mágica do rapaz»). Várias dessas canções foram mais tarde publicadas em versão para soprano (ou barítono) e orquestra, mas uma delas teve um destino muito especial. A ideia de integrar «Das himmlische Leben» numa sinfonia surgiu quando o compositor escrevia a Sinfonia N.º 3, terminada em 1896. Mas acabaria por se constituir no último andamento da Sinfonia N.º 4, já em 1900. Mais do que um simples andamento, tornou-se referência fundamental da construção de toda a obra.

 

    Ela é ponto de partida e ponto de chegada, a «razão de ser» da sinfonia. Como se de um puzzle se tratasse, vão nos sendo revelados fragmentos da canção ao longo dos três primeiros andamentos. Desde logo com as guiseiras, que se ouvem no início, as quais ​surgem ​durante a canção nos interlúdios entre os versos. Ao longo da partitura, vão sendo combinados diferentes pedaços da canção. Esta vai-se revelando à medida do tempo, surgindo de cada vez mais explícita, até que no final se ouve por inteiro. Nesta sinfonia, tudo acontece em função de uma canção. São cinco versos em que vozes de crianças nos falam do reino dos céus, sobre a forma como aí vivem, com alegria, evitando quaisquer influências mundanas. Sob o olhar atento de São Pedro, saboreiam os prazeres da comida, os cheiros das plantas, cantam, dançam, saltam, pulam... e ouvem música celeste.

 

    Para a estreia em Munique, em novembro de 1901, Mahler levou consigo uma cantora da Ópera de Viena, Margarete Michalek. Fazia questão de assegurar uma voz que recriasse a ingenuidade de uma criança. Não foi por acaso, portanto, que, quando em 1984 Leonard Bernstein interpretou esta sinfonia no concerto de reabertura do La Scala de Milão, escolheu precisamente a voz excecional de um rapaz de doze anos, Allan Bergius, hoje maestro.

 

Orquestra Sinfónica Metropolitana
Solista: Alexandra Bernardo (soprano)
Maestro: Reinaldo Guerreiro

 

Gustav Mahler Sinfonia N.º 4

 

Sexta-feira, 15 de março de 2018, Teatro Aveirense

Sábado, 16 de março de 2018, Teatro Thalia

                  
A propósito da Sinfonia N.º 4, Mahler escreveu: «Pense no azul indiferenciado do céu, o qual é mais difícil de apreender do que qualquer variação ou contraste entre tons diferentes. Essa é a cor fundamental desta obra.»

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O compositor António Pinho Vargas e o violoncelista Pavel Gomziakov em dezembro de 2017 no Teatro Thalia |  Foto de Marcelo Albuquerque
 
Six Portraits of Pain, para violoncelo e orquestra, foi estreada em 2005, quando da inauguração da Casa da Música, no Porto. É uma das obras mais elogiadas do extenso catálogo de António Pinho Vargas. Ao longo de quase meia hora, atravessa dimensões sofridas da existência e criatividade humana. Evoca frases de vários escritores e filósofos numa partitura que se oferece às reflexões e ideias do compositor.

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Palácio Esterháza em Fertőd | Fonte: classicalnotes.blogspot
 
Sinfonia do Adeus de Joseph Haydn é música de protesto, um simpático protesto que se destinava a convencer o príncipe Nikolaus a não manter a orquestra por mais tempo no Palácio Eszterháza. A estadia, que já se prolongava havia longos meses, mantinha os músicos afastados das suas famílias. Então, Haydn consentiu em traduzir em música esse descontentamento. Numa época em que as instituições sindicais eram uma miragem, tal reivindicação só seria possível com muita elegância e bom humor. Assim aconteceu.

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